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quinta-feira, 17 de março de 2011

A menina e o corselet: uma parábola.

A menina e o corselet: uma parábola.



A menina sonhava com um corselet. Desejava ardentemente se ver dentro de um, porque afinal de contas, todas as meninas da sua turma achavam o máximo usar um corselet - como se fosse um atestado de boa conduta, de competência e de sucesso.

Ela imaginava como seria a vida depois que tivesse conquistado o direito de usar o acessório. Se perdia em devaneios, sonhando com os elogios que receberia e com a imagem que faria de si mesma quando estivesse no grupo seleto das mulheres que usavam corselets.

E então aconteceu: a menina conseguiu um corselet. Ela estava radiante, feliz da vida. Toda ela era expectativa e ninguém poderia demovê-la daquele estado de espírito.

Disseram a ela que o modelo escolhido era muito ajustado. Explicaram que o corselet poderia até fechar, mas que, com o passar do tempo, se tornaria demasiado incômodo. Argumentaram que a menina era exageradamente livre, para se moldar a uma peça tão apertada.

As pessoas conheciam a menina. O problema é que a menina não se conhecia. Ela não sabia que precisava de tanta liberdade para respirar. Ela conhecia sua capacidade de se adaptar, mas não compreendia o quão maior era sua necessidade de ser livre.

E aconteceu que a menina teve uma ou duas ideias e ganhou um ou dois quilos. E o corselet ficou apertado demais - muito além do que a menina estava disposta a suportar.

A menina ficou perdida e desorientada, sem saber o que fazer. Sofreu e se descabelou, ficou sufocada e triste. E já estava para desistir e tentar emagrecer para se moldar novamente, quando lhe perguntaram: por que você tem que usar um corselet tão apertado?

E a menina percebeu, enfim, que não tem que usar o corselet. Ela não nasceu dentro de um! Num momento de insight, a menina reconheceu que pode viver sem o acessório e que pode mandá-lo às favas.

E agora?

Agora a menina está comprando roupas confortáveis e leves, se preparando para voltar a respirar outra vez.

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